Nesta página estarei publicando poesias, crônicas , reflexões, etc...
Hoje vou publicar alguns poemas em francês que eu adoro e alguns pormas e pensamentos de Marla de Queiroz.
Hoje trago para vocês um poema do Paul Verlaine (1844-1896) chamado Il pleure dans mon coeur (Chora no meu coração)
Il pleure dans mon coeur – Chora no meu coração
Comme il pleut sur la ville – Como chove na cidade
Quelle est cette langueur - Qual é esta languidez
Qui pénètre mon coeur? - Que penetra meu coração?
Comme il pleut sur la ville – Como chove na cidade
Quelle est cette langueur - Qual é esta languidez
Qui pénètre mon coeur? - Que penetra meu coração?
Ô bruit doux de la pluie – Ó barulho suave da chuva
Par terre et sur les toits! - Pela terra e sobre os tetos !
Pour un coeur qui s’ennuie, – Por um coração que se aborrece,
Ô le chant de la pluie! – Ó canto da chuva!
Par terre et sur les toits! - Pela terra e sobre os tetos !
Pour un coeur qui s’ennuie, – Por um coração que se aborrece,
Ô le chant de la pluie! – Ó canto da chuva!
Il pleure sans raison – Chora sem razão
Dans ce coeur qui s’écoeure. – Neste coração que se enoja.
Quoi! Nulle trahison ?… – O quê? Nem uma traição?
Ce deuil est sans raison. - Este pesar é sem razão.
Dans ce coeur qui s’écoeure. – Neste coração que se enoja.
Quoi! Nulle trahison ?… – O quê? Nem uma traição?
Ce deuil est sans raison. - Este pesar é sem razão.
C’est bien la pire peine - É certamente a pior tristeza
De ne savoir pourquoi – Não saber porque
Sans amour et sans haine – Sem amor e sem ódio
Mon coeur a tant de peine! – Meu coração tem tanta tristeza!
De ne savoir pourquoi – Não saber porque
Sans amour et sans haine – Sem amor e sem ódio
Mon coeur a tant de peine! – Meu coração tem tanta tristeza!
POEMA DE PIERRE DE RONSARD
Donc, si vous me croyez, Mignonne,
Tandis que votre âge fleuronne
En sa plus verte nouveauté,
Cueillez, cueillez votre jeunesse:
Comme à cette fleur, la vieillesse
Fera ternir votre beauté.
Donc, si vous me croyez, Mignonne,
Tandis que votre âge fleuronne
En sa plus verte nouveauté,
Cueillez, cueillez votre jeunesse:
Comme à cette fleur, la vieillesse
Fera ternir votre beauté.
TRADUÇÃO
Meu conselho é, pois,amor,
Que, enquanto na vida em flor,
Encantos possam sobrar-te:
Colhe, colhe a mocidade,
Pois como à rosa a idade
Da beleza há de privar-te.
Que, enquanto na vida em flor,
Encantos possam sobrar-te:
Colhe, colhe a mocidade,
Pois como à rosa a idade
Da beleza há de privar-te.
...E mesmo que nada possa ser eterno, mesmo que o "pra sempre" não exista,
eu sei que vou seguir te amando, pelo menos, pelos próximos 99 invernos.
Marla de Queirozeu sei que vou seguir te amando, pelo menos, pelos próximos 99 invernos.
Sei que já vi borboletas voarem faltando um pedaço da asa e rosas incríveis desabrocharem num copo com água: e é disso que me nutro pra acreditar que a meteorologia nem sempre está certa e que dias tão cinzentos podem ser prefácios de noites com sol...
Marla de queiroz
REDAÇÃO DO CONCURSO NA VOLKSWAGEN
No processo de seleção da Volkswagen do Brasil, os candidatos
deveriam responder a seguinte pergunta: 'Você tem experiência'?
A redação abaixo foi desenvolvida por um dos candidatos.
Ele foi aprovado e seu texto está fazendo sucesso, e ele com
certeza será sempre lembrado por sua criatividade, sua poesia, e
acima de tudo por sua alma.
REDAÇÃO VENCEDORA:
Já fiz cosquinha na minha irmã pra ela parar de chorar,
Já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto,
Já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista.
Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora.
Já passei trote por telefone.
Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.
Já roubei beijo. Já confundi Sentimentos.
Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro,
Já me cortei fazendo a barba apressado, já chorei ouvindo música no ônibus..
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se
esquecer.
Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas,
Já subi em árvore pra roubar fruta. Já caí da escada de bunda.
Já fiz juras eternas,
Já escrevi no muro da escola,
Já chorei sentado no chão do banheiro,
Já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante.
Já corri pra não deixar alguém chorando. Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo
falta de uma só.
Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado,
Já me joguei na piscina sem vontade de voltar,
Já bebi uísque até sentir dormente os meus lábios,
Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso,
Já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.
Já apostei em correr descalço na rua,
Já gritei de felicidade,
Já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um 'para sempre' pela
metade.
Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol.
Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo
um ir e vir sem razão.
Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num
baú, chamado coração.
E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: 'Qual sua experiência?'.
Essa pergunta ecoa no meu cérebro:
experiência...experiência...Será que ser 'plantador de sorrisos' é uma boa experiência?
Sonhos!!! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!
Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta:
Experiência? 'Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?'.
Amar:
Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...
O amor é quando a gente mora um no outro.
Mario QuintanaFechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...
O amor é quando a gente mora um no outro.
POEMINHA DO CONTRA
Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!
Mario QuintanaTodos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!
DOS MILAGRES
O milagre não é dar vida ao corpo extinto,
Ou luz ao cego, ou eloqüência ao mudo...
Nem mudar água pura em vinho tinto...
Milagre é acreditarem nisso tudo!
Mario QuintanaO milagre não é dar vida ao corpo extinto,
Ou luz ao cego, ou eloqüência ao mudo...
Nem mudar água pura em vinho tinto...
Milagre é acreditarem nisso tudo!
Quiseste expor teu coração a nu.
E assim, ouvi-lhe todo o amor alheio.
Ah, pobre amigo, nunca saibas tu
Como é ridículo o amor... alheio!
Mario QuintanaE assim, ouvi-lhe todo o amor alheio.
Ah, pobre amigo, nunca saibas tu
Como é ridículo o amor... alheio!
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Cora CoralinaRemove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Mãe
Renovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.
Cria teus filhos,
não os entregues à creche.
Creche é fria, impessoal.
Nunca será um lar
para teu filho.
Ele, pequenino, precisa de ti.
Não o desligues da tua força maternal.
Que pretendes, mulher?
Independência, igualdade de condições...
Empregos fora do lar?
És superior àqueles
que procuras imitar.
Tens o dom divino
de ser mãe
Em ti está presente a humanidade.
Mulher, não te deixes castrar.
Serás um animal somente de prazer
e às vezes nem mais isso.
Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
Tumultuada, fingindo ser o que não és.
Roendo o teu osso negro da amargura.
Cora CoralinaRenovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.
Cria teus filhos,
não os entregues à creche.
Creche é fria, impessoal.
Nunca será um lar
para teu filho.
Ele, pequenino, precisa de ti.
Não o desligues da tua força maternal.
Que pretendes, mulher?
Independência, igualdade de condições...
Empregos fora do lar?
És superior àqueles
que procuras imitar.
Tens o dom divino
de ser mãe
Em ti está presente a humanidade.
Mulher, não te deixes castrar.
Serás um animal somente de prazer
e às vezes nem mais isso.
Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
Tumultuada, fingindo ser o que não és.
Roendo o teu osso negro da amargura.
Poeta, não é somente o que escreve.
É aquele que sente a poesia, se extasia sensível ao achado de uma rima à autenticidade de um verso.
Cora CoralinaÉ aquele que sente a poesia, se extasia sensível ao achado de uma rima à autenticidade de um verso.
Sou entre flor e nuvem,
estrela e mar. Por que
havemos de ser unicamente
humanos, limitados em chorar?
Não encontro caminhos fáceis
de andar. Meu rosto vário
desorienta as firmes pedras
que não sabem de água e de ar.
Cecília Meirelesestrela e mar. Por que
havemos de ser unicamente
humanos, limitados em chorar?
Não encontro caminhos fáceis
de andar. Meu rosto vário
desorienta as firmes pedras
que não sabem de água e de ar.
O meu amor não tem
importância nenhuma.
Não tem o peso nem
de uma rosa de espuma!
Desfolha-se por quem?
Para quem se perfuma?
O meu amor não tem
importância nenhuma.
Cecília Meireles
Motivo (Cecília Meireles)
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E sei que um dia estarei mudo:
- mais nada
Murmúrio
Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!
Cecília Meireles
O VELHO E A FLOR
Por céus e mares eu andei,
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber
O que é o amor.
Ninguém sabia me dizer,
Eu já queria até morrer
Quando um velhinho
Com uma flor assim falou:
O amor é o carinho,
É o espinho que não se vê em cada flor.
É a vida quando
Chega sangrando aberta
em pétalas de amor.
Por céus e mares eu andei,
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber
O que é o amor.
Ninguém sabia me dizer,
Eu já queria até morrer
Quando um velhinho
Com uma flor assim falou:
O amor é o carinho,
É o espinho que não se vê em cada flor.
É a vida quando
Chega sangrando aberta
em pétalas de amor.
Vinícius de Moraes
DA OBSERVAÇÃO
Não te irrites, por mais que te fizerem…
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio…
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio…
( Mario Quintana )
Soneto de Fidelidade
Vinicius de Moraes
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
BILHETE
Se tu me amas,
ama-me baixinho.
ama-me baixinho.
Não o grites de cima dos telhados,
deixa em paz os passarinhos.
deixa em paz os passarinhos.
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
enfim,
tem de ser bem devagarinho,
amada,
amada,
que a vida é breve,
e o amor
mais breve ainda.
e o amor
mais breve ainda.
( Mario Quintana )
Hoje vou publicar algumas poesias e pensamentos de meu avô postiço Benedito D'ambrósio uma pessoa muito além de sua época que apesar de suas limitações era um grande poeta e pensador.
Pingo D'agua
Em uma noite de chuva
Um pingo d'água marcou
A hora de sua despedida.
E hoje quando me recolho ao leito
Sinto ainda dentro do peito
A mesma emoção sentida!...
E quando chove lá fora
Eu mando a tristeza embora
Mas sinto não poder ser,
Me vem sempre a lembrança
O seu vulto que me encanta
Que não consigo esquecer!...
Procuro olvidas a mágoa
Que uma simples gota d'água
Reflete no meu viver!...
Só ela voltando um dia
Esse pingo d'água fria
Conseguirei esquecer!...
(Benedito D'ambrósio, Pocinhos do Rio Verde - 29/10/42)
Amor
"O amor é a fonte que dissemina emoções na alma e no coração, e é, o mais sublime elo que une duas almas translúcidas, para as mesmas alegrias e mesmas dores."
Por : Benedito D'ambrósio
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"Triste é a velhice desventurada de que viveu sem amar... Triste é a velhice desventurada de quem não tem o que recordar..."
Por : Benedito D'ambrósio
SONETO
Formosa qual pincel da tela fina
Debruças jamais pode eu nunca ousara;
Formosa qual pincel, jamais desabrochara
Na primeira rosa purpurina.
Formosa, qual a mão divina
Lhe alinhara o contorno e a forma rara,
Formosa, qual pincel jamais brilhara,
Astro gentil, estrela peregrina...
Formosa qual, se a natureza e a arte,
Dando as mãos em seu dons, em seu louvores
Jamais soube imitar no todo ou parte.
Mulher celeste, oh anjo de primavera !...
e flores,
Quem pode ver-te, sem querer-te amar?
Quem pode amar-te, sem morrer d'amores.
Sim, morrer d'amores por uma paixão oculta,
Não por outra, mas sim por ti.
Por : Benedito D'ambrósio
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